Relação do presidente do Senado com Lula está estremecida desde a indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF
Sob o clima de tensão que paira na Praça dos Três Poderes, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou nesta quarta-feira (6) que “não tem o que esperar do governo”.
Questionado por jornalistas na saída do plenário sobre o que espera do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Alcolumbre rebateu: “Tenho que esperar alguma coisa? Não tenho o que esperar”.
Desde a indicação do então advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), a relação entre Lula e Alcolumbre se tornou turbulenta. O senador defendia a tese de que deveria ter influência no processo de indicação, preferindo o nome de Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
O desentendimento entre os dois atingiu seu ápice na rejeição de Messias no plenário, com uma margem de 7 votos a menos do que os 41 necessários.
A articulação que derrubou Messias reuniu bolsonaristas, liderados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – adversário direto de Lula nas eleições presidenciais de outubro –, e o próprio presidente do Senado, que atuaram até os momentos finais para consolidar a derrota do governo Lula.
Era esperado que o Executivo tentasse compor uma reaproximação com Alcolumbre depois da rejeição a Messias e a queda do veto da Dosimetria, muito por conta da possibilidade de indicar um novo nome para o Supremo ainda no atual governo e antes das eleições de outubro. Lula planeja se reunir com o senador amapaense na próxima semana, mas antes, o presidente escalou dois integrantes da Esplanada dos Ministérios para retomar o diálogo: José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e José Múcio Monteiro (Defesa).
Os dois reuniram-se na manhã de terça-feira (5) na residência oficial do Senado. Segundo interlocutores de ambos relataram à CNN, foi falado sobre possíveis gestos a serem feitos de lado a lado no sentido de distensionar o ambiente político entre o Palácio do Planalto e o Senado. O presidente Lula havia se reunido com Múcio na véspera e foi avisado sobre o encontro.
Na manhã desta quarta-feira, ocorreu um evento de celebração dos 200 anos da Câmara dos Deputados no plenário Ulysses Guimarães, que contou com a presença dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), do Senado, Davi Alcolumbre, e do STF, Edson Fachin. Lula, no entanto, não esteve presente na sessão solene. Preferiu participar de um evento no Planalto para receber cartas de 7 embaixadores que passam a atuar no Brasil.
Com CNN Brasil






