Investigação contra delegado preso sob suspeita de tráfico de drogas usou mais de 40 mil áudios

A investigação contra um delegado da Polícia Civil da Paraíba, Braz Morroni, e outros dois agentes da corporação, presos na manhã da terça-feira (2) supeitos de envolvimento em um esquema de tráfico de drogas, usou mais de 40 mil áudios durante as apurações, segundo o secretário de Segurança Pública do Estado, Jean Nunes.

O secretário afirmou que a investigação durou mais de um ano e que os áudios, enviados entre os suspeitos, foram analisados pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) para chegar às conclusões do caso.

“Mais de um ano de investigação, mais de 40 mil áudios analisados pela Polícia Civil e Gaeco. A gente tá combatendo a chegada do Comando Vermelho no nosso estado e agentes de segurança pública associados com traficantes alimentam essa facção para que possam retornar as drogas para as ruas. É uma gravidade importante de considerar”, disse.

A Justiça da Paraíba decidiu manter a prisão do delegado Braz Morroni e dos dois agentes da Polícia Civil após audiência de custódia realizada horas depois das prisões, durante a Operação Perfídus, deflagrada na manhã da terça-feira (2), em João Pessoa.

Além deles, outros cinco suspeitos de integrar um grupo investigado também tiveram as prisões temporárias mantidas pela Justiça.

O delegado Braz Morroni, que era titular da Delegacia Especial de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), e os agentes Eduardo Jorge Ferreira e Everton Rychelyson foram encaminhados ao Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa. Os demais presos ainda não tiveram os locais de custódia informados.

A defesa do delegado afirmou, em nota, que “é preciso ressaltar o direito constitucional à presunção de inocência” e que irá analisar os autos para adotar as medidas cabíveis para tentar reverter a prisão.

A operação cumpriu oito dos nove mandados de prisão expedidos pela Justiça e apura a atuação de um grupo suspeito de envolvimento em um esquema que teria contado com participação de agentes da Polícia Civil.

O único alvo que não foi localizado durante a operação foi Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como Babau, apontado como responsável pela denúncia inicial. Segundo a polícia, ele está fora do estado.

Quem é o delegado preso


					Investigação contra delegado preso sob suspeita de tráfico de drogas usou mais de 40 mil áudios
Delegado Braz Morrone.. Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Braz Morroni de Paiva Júnior tem mais de 20 anos de atuação na Polícia Civil. Ele foi nomeado delegado de Polícia Civil na Paraíba em 12 de agosto de 2004, após ser aprovado em um concurso público.

O delegado atuou na delegacia de Cuité, na delegacia de Itabaiana, na 4ª delegacia distrital de Campina Grande e como plantonista na Segunda Delegacia Regional de Polícia Civil. Em 2017, Braz Morrone começou a atuar na Delegacia de Repressão a Entorpecentes e, em 2019, assumiu a DCCPAT.

Outros presos da operação:

  • João Wicttor Alves de Lima
  • Brendo Roberth Fernandes Sobral
  • Paulo Ricardo Barbosa de Souza (“Galinha”)
  • José Alexandrino de Lira Júnior (“Júnior Lira”)
  • Vanessa Dantas Fernandes

Dankennedy Vieira Brito da Silva (“Babau”), é o traficante que está foragido. As defesas não foram localizadas até a publicação desta matéria.

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