Com a presença de Janja, governo defende proibição das bets em audiência no STF

Representantes do setor de apostas acionam Justiça contra medida de Lula que baniu completamente os jogos de azar em setembro

Representantes do governo Lula participaram nesta terça-feira, 3, de uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal sobre a proibição das bets no Brasil. A sessão foi convocada pelo ministro Luiz Fux, relator de ações que contestam a medida do Planalto que baniu completamente a operação do setor em setembro.

Em defesa da proibição das bets determinada pelo governo, falaram o ministro da Justiça, Wellington Lima, e o advogado-geral da União, Jorge Messias. A sessão foi acompanhada pela primeira-dama Janja Silva, que entregou a Fux antes da audiência um relatório sobre o mercado de apostas no Brasil e seus impactos sobre a população.

A proibição é contestada no STF por representantes do setor de apostas online, que afirmam que banir a atividade não impede a operação do mercado ilegal de bets e ressaltam que as principais empresas do ramo vinham cumprindo a regulação imposta pelo Ministério da Fazenda em 2024. A principal ação na Corte é movida pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL).

Para Jorge Messias, o argumento de que há muitas empresas ilegais em atividade não justifica sua liberação — segundo o advogado-geral, a proibição considera “capacidade de fiscalização e danos” envolvendo as apostas online. “A existência de comércio clandestino de armas ou de medicamentos falsificados não obriga o Estado a permitir sua livre comercialização”, declarou.

Wellington Lima, por sua vez, afirma que o setor de bets é responsável por causar “drama, endividamento e suicídios” entre a população brasileira, sendo necessária a sua proibição para conter os prejuízos sociais e financeiros aos usuários. “Procuramos evitar um proibicionismo que implicasse em efeitos perversos e indesejáveis, mas a dinâmica particular das bets assumiu uma fisionomia perversa”, disse o ministro da Justiça.

A atuação de Janja na audiência desta terça-feira, em apoio aos ministros escalados para defender a medida do governo, é claro indício de que o Planalto não pretende recuar em relação à proibição das bets. A medida provisória que proibiu a atividade tramita no Congresso desde setembro e precisa, a princípio, ser votada ainda em novembro — no entanto, a comissão de parlamentares que analisará o tema sequer foi formada, e a tendência é que o assunto seja arrastado pelos próximos meses.

Com Veja

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