A primeira-dama Janja da Silva (foto) reagiu nesta segunda, 11, aos vídeos que circulam nas redes sociais de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) supostamente “bebendo detergente contamiado” em defesa da da marca Ypê.
A mobilização começou após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspender a fabricação e a comercialização de parte da companhia.
“Até quando a gente vai ver gente bebendo detergente contaminado? É muita ignorância”, afirmou a primeira-dama em evento no Palácio do Planalto.
Padilha nega perseguição
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, negou nesta segunda que haja uma perseguição política à marca por causa de doações feitas por integrantes da família Beira à campanha presidencial de 2022.
Padilha rebateu as acusações e destacou que o diretor responsável pela decisão na Anvisa, Daniel Meirelles, foi indicado durante o próprio governo Bolsonaro: “Foi assessor e secretário-executivo do ministro do governo Bolsonaro e está na Anvisa cumprindo o cargo e tendo a responsabilidade de cumprir papel técnico.”
“Tivemos no fim de semana uma enxurrada de vídeos irresponsáveis que desinformam a população, que tentam transformar algo técnico, a preocupação com a saúde das pessoas, em disputa política porque essa empresa financiou campanhas do ex-presidente da República e do seu time”, disse Padilha à imprensa.
O ministro também alertou sobre os riscos de ingerir o detergente: “Não sejam irresponsáveis com a saúde das pessoas, como vários de vocês foram durante a pandemia”.
Entenda o caso
A decisão da agência atingiu lotes de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes fabricados pela Química Amparo, dona da marca.
Segundo a Anvisa, inspeções apontaram falhas nos controles de qualidade e risco de contaminação microbiológica nos produtos com numeração final 1.
O Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo afirmou que o risco sanitário permanece enquanto as análises estiverem em andamento.
Em nota, a Anvisa disse que a decisão seguiu critérios técnicos e teve como base inspeções realizadas em conjunto com órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária.
Segundo a agência, as irregularidades encontradas “podem representar risco à saúde”.
O que diz a Ypê
Em nota, a Ypê afirmou no sábado:
“A Ypê esclarece que tem mantido suspensa as linhas de produção da sua fábrica de líquidos desde o último dia 07 de maio, responsáveis pela fabricação dos produtos lava-roupas líquido, lava-louças líquido e desinfetantes de número de lote final 1 (um), objeto da RE n. 1834/2026.
Esta medida continua em curso, independentemente do efeito suspensivo obtido com o nosso recurso, e tem como objetivo acelerar o cronograma e a conclusão de medidas apontadas pela Anvisa durante a última fiscalização.
Com a conclusão de mais esta etapa nos próximos dias, a Ypê reforça sua colaboração máxima com as autoridades na busca por uma solução definitiva para a situação, o mais breve possível, reafirmando, acima de tudo, o seu compromisso permanente com a segurança e a saúde dos consumidores.
A agência reiterou que a responsabilidade sobre recolhimento, troca e devolução dos produtos é da empresa, que deve orientar consumidores por meio de seu Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).”
Com O Antagonista






