Marcos Pereira diz que usou palavras ‘inadequadas’ e que soaram ‘desrespeitosas’, mas que intenção era falar sobre impacto econômico
Presidente do Republicanos, o deputado Marcos Pereira (SP) foi às redes nesta segunda-feira, 2, para se desculpar por declarações a respeito do fim da escala de trabalho 6×1. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, na última semana, o cacique defendeu a derrubada da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com o modelo de trabalho no qual o empregado trabalha seis dias e descansa um, dizendo que “ócio demais faz mal”.
Em vídeo publicado, Pereira fala de sua própria trajetória, lembrando que foi adotado por uma família humilde, que começou a trabalhar cedo e que sempre acreditou que “o trabalho dignifica e abre caminhos”. Ele ponderou, no entanto, sobre ter usado palavras “inadequadas” na entrevista e disse que seu objetivo era chamar a atenção para o impacto econômico que a medida pode trazer a empresários em todo o país.
“Usei palavras inadequadas, confesso aqui. E reconheço que as minhas frases soaram desrespeitosas aos trabalhadores brasileiros. Meu ponto era falar sobre o impacto econômico. Portanto, peço desculpas por isso. Todo trabalhador merece descanso, respeito e tempo com a família. Esse princípio não é negociável”, declarou.
O presidente do Republicanos também relembrou de sua atuação como ministro da Indústria e Comércio durante o governo Michel Temer (2016-2018), afirmando que mais de 90% das empresas do Brasil são micro e pequenas empresas — e que são elas as responsáveis pela maior parte dos trabalhadores e dos empregos.
“Mudanças precisam ser feitas. Com responsabilidade, para não colocar esses postos de trabalho em risco. O Brasil precisa melhorar a vida de quem trabalha, com equilíbrio, diálogo e visão de futuro. É com esse compromisso que eu sigo atuando”, finalizou.
Polêmica
Na entrevista que causou a polêmica, Marcos Pereira foi questionado a respeito da demanda da população por mais tempo de lazer e menos tempo de trabalho. Ele respondeu que “quanto mais trabalho, mais prosperidade”, que “ócio demais faz mal” e que a população pobre não tem condições econômicas para lazer.
“Claro, a pessoa tem que ter lazer, mas lazer demais também, o ócio demais faz mal. Tenho vários casos aí que o fulano quando parou de trabalhar, principalmente com certa idade, parou de trabalhar, morreu rápido, ficou doente. A gente precisa de atividade”, disse em um trecho.
Lula e eleições
O fim da escala 6×1 é uma das principais promessas do atual governo Luiz Inácio Lula da Silva — e também uma das principais apostas de sua campanha à reeleição.
O governo também tem mobilizado aliados para que a proposta vá adiante. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já anunciou que o texto é uma das prioridades do ano legislativo e, na última quinta, 26, afirmou que a PEC pode ser votada em maio no Plenário da Casa.
Caciques de partidos de oposição a Lula, como Valdemar Costa Neto, do PL, e Antonio Rueda, do União Brasil, têm declarado que as respectivas bancadas farão de tudo para barrar o texto já na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A avaliação é que o movimento de contenção deve ser feito o quanto antes, porque quanto mais perto das eleições, menor a disposição de deputados e senadores que buscam renovar seus mandatos de se “queimarem” com pautas impopulares junto ao seu eleitorado.
Com Veja





