A divulgação da nova rodada da pesquisa Meio/Ideia reforçou um diagnóstico recorrente do cenário eleitoral: o presidente Lula lidera numericamente, mas entra no segundo turno em empate técnico com os principais nomes da direita. O levantamento mostra o petista com 45,8% contra 41,1% de Flávio Bolsonaro; 44,7% ante 42,2% de Tarcísio de Freitas; e 45% contra 40,7% de Michelle Bolsonaro — todos dentro da margem de erro de 2,5 pontos.
Para o colunista Mauro Paulino, os números confirmam a tendência observada em levantamentos recentes: a disputa se estreita à medida que a oposição consolida candidaturas, sem que o presidente consiga romper um patamar que parece funcionar como limite.
Por que o segundo turno encurtou tanto?
Segundo Paulino, o dado central é o crescimento acelerado de Flávio Bolsonaro desde o lançamento da precandidatura, em dezembro. “A pesquisa confirma um movimento de crescimento significativo”, avaliou. Ainda assim, Lula mantém a dianteira — pequena, porém estável — em todos os cenários testados.
Lula bateu no próprio teto?
O presidente aparece estacionado na casa dos 45% nas simulações de segundo turno. Para o colunista, trata-se de um teto condicionado à avaliação do governo: sem melhora perceptível no dia a dia do eleitor, o petista encontra dificuldade para ampliar vantagem.
Existe espaço real para uma terceira via?
Os números da chamada terceira via seguem distantes do empate observado contra o bolsonarismo. Em confrontos diretos, Romeu Zema marca 34%; Eduardo Leite, 21%; Ronaldo Caiado, 34%. O desempenho mais competitivo é o de Ratinho Júnior, com 38%.
Paulino chama a atenção para um efeito colateral: a força do nome. “Assim como o sobrenome Bolsonaro transfere votos, ‘Ratinho’ pode confundir parte do eleitorado e inflar a intenção”, disse.
Antilulismo e antibolsonarismo se anulam?
A rejeição elevada aos dois polos ajuda a explicar o equilíbrio. Para Paulino, antilulismo e antibolsonarismo têm taxas próximas, o que cria limites de crescimento e, ao mesmo tempo, transfere rejeição quando alianças se formam. No caso de Tarcísio, uma eventual nacionalização da campanha ampliaria conhecimento — mas também importaria resistência ao se associar ao bolsonarismo.
Com Veja





