Mesmo diante de um redesenho político que altera antigas correlações de força em Guarabira, o ex-governador da Paraíba, Roberto Paulino afirmou, nesta sexta-feira (9), que seguirá filiado ao MDB. A declaração ocorre após a prefeita Léa Toscano (União Brasil) anunciar apoio à pré-candidatura do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), ao Governo do Estado em 2026.
Histórico dirigente do MDB e aliado do governador João Azevêdo (PSB), Paulino passa a conviver com um cenário delicado dentro da legenda. O partido, que tradicionalmente teve a família Paulino como principal referência em Guarabira, agora abriga uma aliança com o grupo Toscano, adversário histórico no município, e passa a sustentar um projeto eleitoral oposto ao do campo socialista.
Em entrevista, Roberto Paulino foi direto ao tratar do assunto. Disse que não cogita deixar o MDB, legenda à qual é filiado há cerca de 50 anos e pela qual disputou sucessivas eleições, consolidando sua trajetória política no Brejo paraibano. A permanência, segundo ele, é uma decisão baseada em história e identidade partidária. “Vou continuar filiado ao MDB. Sou filiado ao partido há mais de 50 anos. Reafirmo meu apoio ao governo ao vice-governador Lucas Ribeiro, e ao senado ao prefeito de Patos, Nabor Wanderley e ao governador João Azevêdo”, pontuou.
O apoio de Léa Toscano e da deputada estadual Camila Toscano (PSDB) à pré-candidatura de Cícero Lucena foi oficializado na quinta-feira (8) e teve forte simbolismo político. O gesto marca a reaproximação do grupo Toscano com o MDB em Guarabira, território que por décadas foi associado ao grupo Paulino. Essa mudança se intensificou após o ex-deputado Raniery Paulino deixar o MDB e migrar para o Republicanos, nas eleições de 2022.
Apesar do novo desenho interno e das contradições políticas que se impõem, Roberto Paulino opta por manter-se no MDB, sinalizando que, ao menos por enquanto, a fidelidade partidária falará mais alto que os rearranjos eleitorais em curso.
O episódio evidencia o clima de tensão e realinhamentos que já começam a se desenhar no tabuleiro político paraibano com vistas às eleições de 2026, especialmente em regiões onde antigas rivalidades passam a dividir o mesmo palanque.
Com Fonte83





