Por Júnior Queiroz – A nova saída do deputado estadual Luciano Cartaxo do Partido dos Trabalhadores não é apenas mais uma movimentação partidária. É, sobretudo, um retrato claro de como, para alguns políticos, as convicções parecem acompanhar o movimento das marés — ora firmes, ora completamente mutáveis.
Cartaxo construiu sua base no PT, onde foi vereador de João Pessoa e chegou a vice-governador da Paraíba. Era identificado com a esquerda, com o discurso alinhado às pautas progressistas e com a defesa histórica do partido.
Mas veio a crise. No auge das turbulências que culminaram no Impeachment de Dilma Rousseff, decidiu deixar a legenda. Alegou não querer “pagar pelos erros do partido” e migrou para o Partido Social Democrático — mudança que abriu caminho para se eleger prefeito da capital.
Pragmatismo ou conveniência?
Após dois mandatos à frente da Prefeitura de João Pessoa, o protagonismo diminuiu. E, como num movimento calculado, Cartaxo retornou ao PT. Voltou também o discurso: defesa enfática do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, retomada das bandeiras da esquerda e reposicionamento político que lhe garantiu uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Mas eis que, novamente, a maré muda.
Pela segunda vez, Luciano Cartaxo deixa o PT. E não em qualquer direção: filia-se ao Republicanos, partido que, no cenário nacional, se posiciona como adversário direto de Lula e do campo político que ele defendia até pouco tempo atrás.
E então, a pergunta inevitável: o que mudou? O partido ou as convicções?
É possível sustentar o mesmo discurso em campos políticos tão distintos? Ou o discurso, assim como a filiação, também será ajustado conforme a conveniência?
Cartaxo simboliza um tipo de política que vai além dele. Uma política em que ideologia vira acessório, onde posicionamentos são moldados conforme o momento e onde a coerência parece cada vez mais relativa.
O problema é que o eleitor mudou. Hoje, observa, registra e cobra. E percebe quando há desalinhamento entre trajetória e discurso.
No fim das contas, a segunda saída de Luciano Cartaxo do PT não é apenas um fato político, é um sinal. Um sinal de que, para alguns, as convicções não são âncoras, mas velas: mudam de direção conforme o vento sopra.
E, quando isso acontece, a credibilidade também entra em risco. Porque, em política, até é possível mudar de partido. Difícil é convencer que não se mudou de princípios.
Júnior Queiroz
Apresentador e Editor Chefe do Paraíba Mix





