O fenômeno climático El Niño deve intensificar o calor e prolongar os períodos de estiagem no Cariri paraibano ao longo do segundo semestre de 2026. De acordo com especialistas, a região está entre as áreas que poderão sentir com mais intensidade os efeitos do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, responsável por alterar o regime de chuvas em diversas partes do mundo.
Segundo a meteorologista Morgana Almeida, do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), o El Niño de 2026 apresenta potencial para ser um dos mais fortes dos últimos anos, cenário que, aliado às mudanças climáticas, pode favorecer ondas de calor, redução da umidade do ar e aumento da evaporação dos reservatórios.
No Cariri, onde o segundo semestre já é marcado por poucas chuvas e altas temperaturas, a expectativa é de que o fenômeno potencialize essas condições.
“No Sertão e no Cariri, o El Niño intensifica as temperaturas elevadas e a baixa umidade do ar durante o segundo semestre”, explicou a meteorologista.
Além do desconforto causado pelo calor, a elevação das temperaturas pode aumentar a demanda por água e energia elétrica, reduzir os níveis dos açudes e comprometer ainda mais a disponibilidade hídrica da região.
Outro fator que preocupa é o reflexo do fenômeno sobre a próxima estação chuvosa. Caso o El Niño permaneça com intensidade forte ou muito forte, há possibilidade de redução das chuvas entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, período que marca o início da quadra chuvosa no Sertão e influencia diretamente municípios do Cariri.
Enquanto o Cariri e o Sertão devem enfrentar temperaturas mais elevadas e umidade reduzida, outras regiões da Paraíba, como o Litoral, Brejo e Agreste, poderão registrar diminuição no volume total de chuvas, embora ainda exista a possibilidade de ocorrências pontuais de precipitações intensas.
Especialistas alertam que o fortalecimento do El Niño, somado aos efeitos do aquecimento global, aumenta o risco de eventos climáticos extremos, exigindo atenção de gestores públicos e da população, principalmente nas regiões mais vulneráveis à seca, como o Cariri paraibano.
PARAÍBA MIX
Com Jornal da Paraíba







