Produtores de Caraúbas avaliam cultivo de manga, goiaba, banana e limão após conhecerem propriedades e estruturas de produção no Vale do São Francisco
O Cariri paraibano começa a olhar para a fruticultura irrigada como uma alternativa de diversificação da produção rural. Produtores de Caraúbas estiveram nesta semana em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, para conhecer propriedades, tecnologias de irrigação, manejo e canais de comercialização utilizados na região do Vale do São Francisco.
A visita colocou no radar dos agricultores culturas como manga, goiaba, banana e limão, com produtores já avaliando a adaptação de algumas dessas experiências às propriedades paraibanas.
A movimentação ocorre em uma região onde a disponibilidade de água e as características do solo são fatores decisivos para a expansão da atividade. Para os produtores que participaram da visita, o objetivo não é reproduzir o modelo de Petrolina, mas identificar o que pode ser adaptado às condições do Cariri.
Manga e goiaba entram nos planos dos produtores
O agricultor Ariosvaldo Dias da Silva, do Sítio Ponta de Serra, em Caraúbas, já trabalha com banana e voltou da visita considerando ampliar a produção.
“A forma como eles trabalham é diferente da nossa realidade, mas vimos práticas que podem ser adaptadas. Já trabalho com banana e agora penso em ampliar o cultivo e investir também na manga, que apresenta boa produtividade. Conhecemos ainda experiências com limão e goiaba, o que abre novas possibilidades para nossa propriedade”, relata.
O produtor José Dias pretende avançar na implantação de manga e goiaba. Segundo ele, a experiência observada em Petrolina ajudou a reduzir uma das principais barreiras para quem pretende entrar em uma nova atividade: o conhecimento sobre como estruturar o cultivo.
“Estou planejando implantar o cultivo de manga e goiaba. Foi uma visita muito proveitosa, porque percebemos que também podemos produzir em nossa região. Temos clima semelhante, acesso à água do Rio São Francisco e boas terras. Faltava conhecer melhor como iniciar a produção da maneira correta”, afirma.
Petrolina como referência de produção
A missão técnica incluiu visitas à Embrapa Semiárido, ao Distrito de Irrigação Senador Nilo Coelho, a propriedades rurais e ao Armazém da Caatinga, voltado à comercialização de produtos da agricultura familiar.
Mais do que conhecer plantações, os agricultores tiveram contato com diferentes etapas da cadeia produtiva, da produção ao mercado. Esse aspecto é relevante para uma eventual expansão da fruticultura no Cariri, já que a viabilidade econômica não depende apenas da produtividade por hectare, mas de manejo, irrigação, logística e comercialização.
O analista técnico da agência regional do Sebrae/PB em Monteiro, Renato Albuquerque, afirma que a proposta foi apresentar aos produtores experiências que possam ser adaptadas ao território.
“O objetivo foi mostrar que é possível desenvolver essa atividade também no Cariri, a partir do conhecimento, da tecnologia e do planejamento”, destaca.
Diversificação pode abrir nova frente para o campo
A aposta na fruticultura irrigada representa uma tentativa de ampliar as alternativas econômicas para produtores rurais do Cariri, tradicionalmente marcado por atividades adaptadas ao clima semiárido.
A experiência do Vale do São Francisco funciona como referência justamente por mostrar que a irrigação, associada a tecnologia e organização da produção, pode transformar as características do Semiárido em uma atividade agrícola de maior valor agregado.
No caso de Caraúbas, o movimento ainda está em fase inicial. Os produtores começam a avaliar quais culturas e técnicas podem ser incorporadas às propriedades, considerando as condições locais de água, solo e estrutura produtiva.
Se os primeiros projetos avançarem, a fruticultura poderá acrescentar novas culturas ao campo paraibano e criar oportunidades de renda a partir de uma cadeia que envolve produção, beneficiamento, comercialização e distribuição.
Com Paraíba Business







