O encontro marca o primeiro embate direto entre Lula e Flávio Bolsonaro nesta campanha. Nenhum dos dois participou dos debates no 1º turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) participaram, neste domingo (18/10), do primeiro debate presidencial do segundo turno das eleições de 2026, na Bandeirantes.
O primeiro debate entre Flávio e Lula ficou marcado por bate-bocas sobre corrupção e pouco espaço para propostas. Enquanto o candidato do PL focou em perguntas sobre a lobista Roberta Luchsinger, o petista questionou diversas vezes sobre o patrocínio de Daniel Vorcaro, do Banco Master, ao filme Dark Horse — que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na saída do evento, a Polícia Militar (PM) de São Paulo foi acionada após uma suspeita de bomba na região dos estúdios da TV Bandeirantes. A suspeita foi confirmada ao Metrópoles por fontes da Secretaria de Segurança Pública (SSP), mas ainda não há certeza de que há algum artefato explosivo de fato no local.
Confira os temas que marcaram o debate
- Caso Roberta Luchsinger
Os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro trocaram acusações envolvendo Roberta Luchsinger e o Careca do INSS. O enfrentamento começou quando Flávio perguntou a Lula se ele conhece a lobista Roberta Luchsinger. O candidato à reeleição insistiu no questionamento anterior sobre a posição de Flávio contrária a um projeto que amplia licença-maternidade.
“Você não respondeu a pergunta. Você… O que que você tem em garantir que as mulheres tenham apenas mais dois meses para cuidar de uma criança? Por que que você votou contra?”, questionou Lula.
Já o candidato do PL reforçou o tema de Luchsinger, mencionando a entrevista que ela deu à CNN na noite desse sábado (17/10). “Lula, Roberta Luchsinger, ela fez acusações muito graves contra você ontem. Eu sei que você não deve ter dormido bem, né, porque ela também falou de muito mais coisas e você dizendo que não a conhecia. Te dou a oportunidade agora de corrigir a sua resposta: você conhece Roberta Luchsinger?”, perguntou Flávio.
“A Roberta é uma questão da Polícia Federal. É a Polícia Federal que vai cuidar. E quando a Polícia Federal fizer a investigação, você vai saber quem é que é a Roberta”, disparou Lula.
Diversas vezes durante o segundo bloco, Lula questionou Flávio sobre ter pedido R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente bancar a produção de Dark Horse, filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. “O que você fez com esse dinheiro? É só explicar. Onde você colocou esse dinheiro?”
Flávio respondeu que o dinheiro era para o filme, mas não deu mais detalhes.
“Explica os R$ 134 milhões. É só isso que eu quero, meu querido! É tão simples. Se não foi por fora, a diretora do filme disse que não recebeu nada”, disparou Lula.
O candidato do PL declarou que o dinheiro foi para o filme, disse que a produção será “maravilhosa” e provocou o adversário: “Eu vou te dar uma cortesia para você assistir o filme do Bolsonaro, para você ver como é que uma pessoa é amada, por que que a pessoa é chamada de ‘mito’”.
- Segurança Pública
A criminalidade e o combate ao crime organizado estiveram entre os temas mais debatidos na noite deste domingo. Lula defendeu a atuação conjunta da União, dos estados e das prefeituras para enfrentar o crime organizado.
“Se o Senado votar a PEC da Segurança, eu criarei imediatamente o Ministério da Segurança Pública para que a gente possa intervir nos estados. Para que a gente possa intervir numa combinação com estado, prefeituras e União, para que a gente possa libertar os territórios para a comunidade viver, e poder enfrentar o crime organizado, enfrentar os milicianos, enfrentar todo e qualquer tipo de bandidagem”, declarou.
Lula também citou a Lei Antifacção, que, segundo ele, aumentou o tempo de prisão para integrantes de facções criminosas. O presidente afirmou que o combate ao crime organizado deve alcançar tanto quem atua diretamente nos territórios quanto pessoas com maior poder aquisitivo.
Já Flávio disse que, se eleito, vai declarar “guerra ao narcoterrorismo” e acusou Lula de “passar a cabeça na mão de bandido”. O senador ainda prometeu “leis mais duras” contra “marginais”.
“No governo do Flávio Bolsonaro não vai ter ninguém passando a mão na cabeça de bandido como tem no atual governo, que faz uma política de desencarceramento, que coloca nas ruas marginais perigosos alegando que não tem vagas no sistema penitenciário”, afirmou.
No embate direto, Flávio afirmou que Lula tem maioria de votos entre presidiários, mas recebeu uma investida do petista. “Eu quero que votem 100% dos presidiários, inclusive [Jair] Bolsonaro, vote em mim, Bolsonaro! Você conhece o teu filho, você sabe que eu sou melhor do que ele”, disse Lula durante o debate promovido pela TV Band.
- Saúde
Ao ser questionado por Lula sobre a saúde pública no governo de Jair Bolsonaro, Flávio afirmou que foi uma área “que a gente não teve o melhor resultado”.
“Eu faço aqui esse meu mea-culpa. Tivemos uma pandemia, dois anos de pandemia, uma coisa nova que ninguém sabia direito como tratar, mas o Bolsonaro deu o seu melhor. Inclusive, o Lula tomou vacina, né? Ele tomou vacina. Quem comprou a vacina? O presidente Bolsonaro! Tem Bolsonaro dentro do Lula! Tem Bolsonaro dentro do Lula!”
Flávio detalhou propostas para a saúde pública e criticou os investimentos do governo Lula no SUS. Ao lembrar que convidou Cláudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Albert Einstein, para assumir o Ministério da Saúde em uma eventual gestão, Flávio disse que quer implementar o padrão de atendimento da rede privada no SUS.
O presidente Lula desafiou o senador Flávio Bolsonaro a abrir os sigilos bancário e telefônico para que a população saiba “quem é ladrão neste país”.
O petista propôs que os dois candidatos abram as contas bancárias e os sigilos telefônicos, incluindo os de seus familiares, e entreguem os documentos às autoridades da Justiça para avaliação antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
“Eu desafio você que eu, amanhã… amanhã, abrirmos a nossa conta bancária, abrirmos nosso sigilo telefônico, para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão neste país!”, afirmou Lula.
O presidente sugeriu que os documentos fossem entregues aos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo ele, a medida permitiria que os eleitores conhecessem as informações antes da votação.
Com Metrópoles






