Anexos de Vorcaro sobre Moraes, Toffoli, Alcolumbre e Ciro desacreditaram delação

Prestes a completar três meses de prisão, o banqueiro Daniel Vorcaro fracassou em sua primeira proposta de delação premiada porque, segundo fontes da investigação ouvidas pelo Radar, omitiu informações e resistiu a contar toda a verdade sobre suas relações com figuras importantes da República.

O banqueiro, além de não admitir crimes, em alguns casos, apresentou anexos para atestar que determinadas autoridades não foram corrompidas por ele. Essa versão mais branda contemplou, segundo fontes da investigação, ministros do STF, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre e o senador Ciro Nogueira.

Em outros casos, as histórias sequer apareceram na proposta, como os diálogos do pré-candidato ao Planalto pelo PL, Flávio Bolsonaro, sobre dinheiro para o filme de Jair Bolsonaro.

No conjunto da obra, a delação pareceu uma história criada para tumultuar as apurações — e não para esclarecer fatos, na visão de investigadores.

No caso de Moraes, Vorcaro disse, segundo investigadores relataram ao Radar, que teria fechado o contrato de 129 milhões de reais com a advogada Viviane Barci por ser o escritório dela uma banca em forte ascensão no país e referência nos temas de interesse do Banco Master. Nenhuma relação indevida teria se dado na esteira desse negócio.

Sobre Toffoli, a versão de Vorcaro foi a de que, se houve ilegalidades nas relações envolvendo o resort do ministro, ele não teria tomado conhecimento — nem sabia que o ministro era o dono –, cabendo ao cunhado Fabiano Zettel explicar tais questões.

Já o senador Flávio Bolsonaro sequer figurou no material com suas conversas com Vorcaro, sobre fidelidade política e dinheiro envolvendo o filme de Jair Bolsonaro.

Alcolumbre e Ciro, por sua vez, foram tratados como parlamentares com os quais o banqueiro se reuniu legitimamente para debater temas importantes ao país.

Vorcaro, segundo investigadores, soou menos verdadeiro, na delação, do que na vida real das mensagens do WhatsApp que ele trocava com poderosos de todos os poderes.

Ao apresentar os anexos que apresentou, na visão de investigadores, Vorcaro tinha consciência de que poderia ser desmentido pelo próprio celular — como foi nos casos de Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro.

Se decidiu seguir com a estratégia, diz um interlocutor do banqueiro, é porque acredita que, ao preservar certas autoridades, terá condições de escapar das garras da Justiça no futuro. O problema é que as investigações continuam a todo vapor para revelar mais do que o banqueiro gostaria que fosse revelado.

Para obter um acordo de delação premiada, o candidato a delator não pode mentir, omitir ou falsear fatos. Precisa confessar tudo que fez, viu e ouviu, com provas que confirmem cada relato. Ele tem, agora, uma segunda chance de cumprir essas obrigações no material que será levado aos investigadores da PF e da PGR.

Com Veja

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