A volta do recesso do Congresso e do Judiciário, em um ano pré-eleitoral, intensifica a movimentação política em Brasília. A reportagem analisou como a disputa eleitoral já orienta o comportamento dos parlamentares — e como esse cenário afeta diretamente a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Segundo Paulino, em anos eleitorais o foco do Congresso deixa de ser a agenda institucional e passa a girar, quase integralmente, em torno da sobrevivência política dos próprios parlamentares. “Todas as atitudes passam a ser voltadas para facilitar interesses eleitorais. Isso é natural e recorrente”, afirmou.
O crescimento de Flávio é eleitoral ou apenas hereditário?
Os números recentes das pesquisas indicam uma arrancada de Flávio Bolsonaro, impulsionada pela força do sobrenome. Para Paulino, trata-se de uma transferência quase automática de votos associada à marca Bolsonaro, ainda muito presente no eleitorado.
“O que existe até aqui é uma candidatura de sobrenome”, avaliou. O avanço nas intenções de voto, porém, não resolve um problema central: a alta rejeição e a ausência de um projeto claro de governo apresentado ao eleitor médio.
O que Valdemar Costa Neto está cobrando do pré-candidato?
A pressão por uma mudança de rota partiu do próprio comando do PL. Em nota citada no programa, o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, defendeu que Flávio Bolsonaro reduza o discurso de ataque e passe a expor propostas concretas, com foco em gestão, autonomia e pragmatismo.
“O povo está cansado de encrenca”, disse Valdemar, ao sugerir que o senador fale mais a linguagem do mercado, do Centrão e do eleitor fora da bolha ideológica. A avaliação interna é que, sem esse ajuste, será difícil atrair apoios fundamentais de partidos como PP e União Brasil.
Por que o lançamento da candidatura incomodou aliados?
Outro ponto destacado por Paulino foi a forma improvisada com que a pré-candidatura foi lançada. Segundo ele, o anúncio pegou de surpresa até setores do próprio partido e gerou desconforto imediato entre legendas do Centrão, que preferiam uma construção política mais articulada — e, em muitos casos, apostavam no nome do governador Tarcísio de Freitas.
“O lançamento foi um desperdício”, afirmou Paulino. “Não houve articulação, nem conversa, nem estratégia de marketing político. Isso é básico.” Para o analista, nenhum partido vence uma eleição presidencial isoladamente, e a ausência de diálogo inicial criou um obstáculo que agora precisará ser corrigido.
Crescer nas pesquisas basta para sustentar a candidatura?
Apesar das falhas estratégicas, Paulino reconhece que o desempenho de Flávio Bolsonaro nas pesquisas é relevante e não pode ser ignorado. O desafio, agora, é transformar o capital herdado do sobrenome em uma candidatura estruturada, com programa e alianças.
“A partir desse lançamento de supetão, será preciso fazer política de verdade: conversar, articular e apresentar propostas”, concluiu. Sem isso, o crescimento pode se mostrar frágil diante das exigências do eleitorado de centro — justamente o fiel da balança da eleição.
Com Veja





