Motoristas que atuam na Operação Carro-Pipa denunciaram, nesta quinta-feira (15), o atraso no pagamento dos serviços desde outubro do ao passado na Paraíba. Diante desse cenário, os trabalhadores ameaçam paralisar as atividades nas próximas semana.
Sem receber o dinheiro como está previsto no contrato, há profissionais que temem que a situação financeira se agrave, como desabafou um motorista. Com medo de represália, eles preferem não se identificar.
“Eu tenho até vergonha de dizer que sou pipeiro. O caba (sic) está com cartão atrasado, matrícula de filho para fazer, livro, material escolar. Ai está aí, uma p&*A dessa. A gente só faz trabalhar e ajeitar caminhão, vai levando a Operação Carro-Pipa nos peitos. Nós que estamos financiando, quem está financiando a Operação Carro-Pipa somos nós, os próprios pipeiros”, disse.
Um outro profissional, também sob anonimato, relatou à reportagem que apesar das tentativas, não houve resposta concreta do 1º Grupamento de Engenharia do Exército, responsável pela coordenação da operação no estado, sobre o prazo para regularizar o problema.
“Tem gente sem receber desde outubro. Tem outros, como é o meu caso, que desde de novembro não recebe. A gente liga para lá [Exército] e dizem que estão esperando o dinheiro do Governo Federal. Não dão previsão nenhuma para pagar. Se continuar assim vamos ter que parar o serviço. A gente abastece o caminhão, tem que ter dinheiro para manutenção, tem nossa alimentação… eu mesmo não vou conseguir trabalhar assim”, frisou.
No Sertão da Paraíba, a preocupação é que o cenário de escassez e racionamento de água em algumas cidades aumente ainda mais a crise. Na região entre Sousa, Marizópolis e Cajazeiras são cerca de 500 caminhões que devem parar as atividades por falta de recursos.
De acordo com o vereador Vinícius Gomes, de Marizópolis, a falha também atinge a cadeia econômica de forma direta e indireta. Segundo o parlamentar, oficinas, casas de pneus, mercadinhos, açougues e postos de combustíveis também estão sendo impactados com os atrasos.
Procurado, o Exército afirmou à reportagem que iria avaliar a situação. A redação também buscou contato com o Governo Federal e aguarda resposta do Ministério do Desenvolvimento Regional.
Com MaisPB





