José Flávio: Bode na Rua e a ideia de Patrimônio Cultural

Por José Flávio Ramos de Queiroz

A Festa do Bode na Rua consiste em uma manifestação cultural que ocorre na cidade de Gurjão – PB. Surgida no ano de 1999, o evento nasce como uma forma de evidenciar a importância da caprinocultura para o Cariri Paraibano. Essa manifestação ocorre anualmente, durante o mês de julho, e conta com feira de animais, dança, artesanato, culinária local, além de show e um conjunto de atividades que procuram celebrar a importância da caprinocultura para a cidade de Gurjão – PB. Esse trabalho apresenta como objetivo central traçar uma discussão acerca da relevância da Festa do Bode na Rua, enquanto uma forma de patrimônio cultural imaterial da região do Cariri Paraibano. Por patrimônio cultural se compreende qualquer monumento, material ou imaterial, ao qual seja associada uma perspectiva de história, cultura, memória, identidade e ancestralidade de um povo, de uma comunidade. Nesse contexto, o evento em questão funciona como uma forma de celebrar e conservar a cultura da região, sobretudo através da figura do “Bode”, em que se pode compreender a importância da agropecuária e agronegócio para a região em questão. Assim, compreende-se que a Festa do Bode na Rua não se trata, apenas, de uma evento de cidade pequena, mas sim de uma forma de dá continuidade a uma cultura, uma comunidade, a memória e identidade de um povo.

1. INTRODUÇÃO

A Festa do Bode na Rua consiste em uma manifestação cultural que ocorre anualmente na cidade de Gurjão, localizada no Cariri Paraibano. Essa comemoração surgiu no ano de 1999, durante a gestão do prefeito Inácio Alves Caluête, a partir da necessidade de se desenvolver um projeto que evidenciasse, ampliasse e contribuísse para o desenvolvimento e comercialização de caprinos na região em questão. Nessa perspectiva, a festa do Bode consiste em uma atividade cultural que tem por base a celebração da cultura do Cariri Paraibano, no que se refere à gastronomia, a dança, manifestações artísticas, música, entre outros.

Por sua vez, pode-se compreender o conceito de patrimônio cultural como sendo o conjunto de monumento, materiais e imateriais, que possibilitam conhecer a ancestralidade de um povo e sua cultura, como também passar a novas gerações a cultura de certo meio social. (Rocha, 2012). Assim, o patrimônio cultura consiste no monumento que agrega a si passado, presente e futuro, além de reunir a história, cultura e memória coletiva de um grupo de sujeitos.

Entender a festa do Bode na Rua enquanto um patrimônio cultura do Cariri Paraibano se refere a evidenciar que esse festejo reúne em si os principais arquétipos da cultura em questão, como também a memória coletiva, ancestralidade, história e costumes.

O objetivo central dessa pesquisa consistiu em desenvolver uma discussão acerca da festa do Bode na Rua enquanto forma de patrimônio cultural imaterial, da região do Cariri Paraibano, procurando evidenciar aspectos como a importância desse evento como forma de reafirmar e conservar a cultura dessa localidade, como também sua relevância enquanto instrumento de construção da memória coletiva de tal meio social.

O escopo desse trabalho se constitui por meio da seguinte forma: a priori se procurou conceituar a expressão “Patrimônio Cultura”, tendo em vista que esse é um dos aspectos necessário a essa discussão; em seguida um panorama da história do Bode na Rua; a seguir a relação entre o Bode na Rua e o conceito de Patrimônio Cultural; apresenta-se ainda a construção de uma discussão sobre como se pode compreender a manifestação em questão como forma de patrimônio cultural.

 

2. DESENVOLVIMENTO TEÓRICO

2.1. O Conceito de Patrimônio Cultural

Patrimônio Cultural consiste em uma definição aplicada a um conjunto de manifestações de um meio social que trazem uma significação e representação com referencia a identidade e memória coletiva de um determinando meio social. De acordo com Tomaz (2010), o conceito de patrimônio cultural agrega em si considerações acerca do uso dos espaços e sua relevância enquanto lugares de memória, expressão, assim, determinados espaços e temporalidades podem acabar por se tornarem sacralizados em determinados grupos nas sociedades urbanas.

O conceito de patrimônio cultural se fundamenta através de valores simbólicos que são atribuídos ao bem cultural, portanto, caracterizando-o como único, evocando sua memória, cultura e história para os contemporâneos e descendentes. Tais valores são atribuídos ao patrimônio cultural por meio de vivências sociais, que passam a atribuir aos monumentos os valores simbólicos, identidade e memória. (Farias, 2012).

Para Rocha (2012), o patrimônio cultural possui a capacidade de estimular a memória dos sujeitos, tanto dentro da dimensão histórica quanto cultural, e por meio disso se dá questões como preservação, conhecimento, por exemplo. É por meio desse tipo de monumento material e imaterial que se pode adentrar e descobrir a cultural de um povo. A preocupação em protegê-los surge junto com o século XX, daí o surgimento de instituições e organizações com intuito de preservar o patrimônio cultural. Com relação ao Brasil, a primeira instituição que tem esse foco, aparece no ano de 1936, tendo como base um anteprojeto de Maria do Andrade, por meio da criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – SPHAN.

Nesse contexto, o patrimônio cultural remente a algo que herdado do passado, que pode ser vivenciado no presente e transmitido às gerações do futuro, como forma de preservar a vivência de certo meio social. Assim, o patrimônio consiste em algo construído historicamente e exprime o sentimento de pertencimento dos sujeitos a um ou mais grupos. (Pelegrini, 2009).

Entende-se que atrelado ao patrimônio cultural também se encontra a representação da memória coletiva de uma determinada comunidade. Daí, a importância de compreender determinados monumentos, espaços, manifestações como forma de adentrar em uma cultura, conhecer determinados grupos e sua história, assim como também regiões de um mesmo país, entre outros.

2.2. A Festa do Bode na Rua: História

O município de Gurjão, localizado no Cariri Paraibano, a uma distância de 218 km da capital João Pessoal, sedia o evento do Bode na Rua que ocorre no mês de Julho e consiste em uma festa para celebrar a cultura local, principalmente no que se refere ao trato com a caprinocultura, que por sua vez consiste em uma atividade bastante presente na economia dessa localidade. A festa é realizada em praça pública, dessa forma, sendo aberta a toda a comunidade.

Esse festejo surgiu no ano de 1999, durante a gestão do então prefeito Inácio Alves Caluête, com intuito de evidenciar a importância da caprinocultura para a região. A festa do Bode na Rua foi instituída como uma solução ao quadro no qual a caprinocultura se encontrava, em Gurjão. A ideia consistia na criação de um evento voltado para a valorização da caprinocultura, com intuito de promover um conjunto de atividades, em que se pudesse discutir a relevância desse ramo do agronegócio para a cidade de Gurjão.

Desde seu surgimento a festividade do Bode na Rua já atravessou a gestão de quatro prefeitos: na gestão de Inácio Alves Caluete (1997-2000), também seu idealizador, esse festejo nasce como uma forma de evidenciar a importância e relevância da caprinocultura para a cidade de Gurjão; durante a gestão de José Carlos Vidal (2001-2004/2005-2008), o Bode na Rua começa a ganhar uma dimensão maior, e passa a ser reconhecida nacionalmente como sendo um festejo de destaque na região do Cariri paraibano; o prefeito José Martinho (2009-2012), deu continuidade ao legado do Bode na Rua; Ronaldo Ramos Queiroz (2013-2016/2017-2020), levou o premio Prefeito Empreendedor, do Sebrae, pelo trabalho que vem desenvolvendo com o a Festa do Bode na Rua.

O evento conta com a expofeira, que consiste em uma feira de caprinos e ovinos, além de lançamento de programas governamentais realização de atividades escolares relacionadas à festividade, o concurso de Laços de Bode, exposição de animais e shows musicais. Um marco interessante na festa do Bode na Rua é a gastronomia, que entre outros pontos, é importante destacá-la como uma representação da gastronomia nordestina, de modo geral. O evento em questão conta com um grande número de pratos em que o ingrediente central é a carne de caprino e ovino.

A Casa do Vozinho consiste em uma reprodução da antiga resistência rural e seus utensílios, exposição de artesanato, que é realizada em estandes, no qual se dá espaço para os artesãos de Gurjão e cidades vizinhas apresentarem seus trabalhos.

2.3. As Festas e a Festa do Bode na Rua Como Patrimônio Histórico de Gurjão – PB

As festas assumem um papel privilegiado dentro de uma cultura. Considera-se que essas manifestações admitem significados particulares, no que diz respeito ao meio em que são inseridas. Desse modo, as festas são capazes de diluir, cristalizar, celebrar, ironizar, ritualizar ou sacralizar as experiências sociais particulares de um determinado grupo. Ao mesmo tempo em que servem como representação da memória coletiva, como também uma forma de representar a identidade cultural de certo meio social. (Silva, Miguez; 2014).

A partir dessas considerações, pode-se afirmar que uma festa consiste em uma manifestação que trás em si grande representação acerca daquele meio, daquela sociedade, uma vez que por meio dela se pode lançar olhar sobre o modo como vive, organiza-se e se desenvolve os sujeitos pertencentes aquele meio social. Desse modo, cabendo a determinadas festas o título de patrimônio cultural, sobretudo, pela representatividade cultural que podem trazes em seu escopo.

O objetivo central da criação de um evento no porte do Bode na Rua consiste em promover um espaço para que se possa discutir a importância da caprinocultura para a região em questão. É importante compreender que além de um evento corriqueiro, a festa do Bode na Rua consiste em uma forma de promover a caprinocultura na cidade de Gurjão- PB, evidenciando o quão ela é necessária para o desenvolvimento da cidade.

Dentro dessa perspectiva, quando se pensar acerca do conceito de patrimônio cultura e o objetivo do evento Bonde na Rua, pode-se notar que a manifestação em questão surge como uma forma de celebrar a cultura do Cariri Paraibano, de apresentar os costumes, lançando mão sobre a culinária, a economia, a música e todos os pontos com forma a cultura daquela localidade.

3. METODOLOGIA

Esse trabalho se trata de um estudo investigativo, exploratório e explicativo acerca da manifestação conhecida como Festa do Bode na Rua, que ocorre anualmente na cidade de Gurjão – PB. O ponto central desse estudo consistiu em relacionar o conceito de patrimônio cultural com a Festa do Bode na Rua. O caminho metodológico escolhido foi o levantamento de material que pudesse servir de referência para a escrita desse trabalho.

A priori, se deu a investigação em torno do evento, assim se procurou averiguar a história dessa manifestação, procurando compreender como ela surgiu, porque surgiu, o que contempla qual a relação entre essa festa e o meio social, qual sua importância para a região em questão. Assim, analisando todos os aspectos relacionados à festa do Bode na Rua. A ausência de publicações cientifica, como periódicos, anais, monografia levou a basear todo o panorama histórico do Bode na Rua, em informações retiradas de páginas da internet, bloggers, e do projeto escrito pelo atual prefeito.

O segundo momento desse trabalho consistiu em realizar uma busca por referências acerca do termo “patrimônio cultural”, buscando artigos, produções acadêmicas que pudessem servir de base para compreensão e discussão do que vem a ser tal terminologia. Foram consideradas seis produções, publicadas entre os anos de 2008 e 2017, que discorriam acerca do tema patrimônio cultural, como também festas populares, cultural, memória coletiva e identidade.

Após as constatações acerca da história da festa do Bode na Rua e do levantamento de bibliografia em torno do tema “Patrimônio Cultural”, deu-se a analise dos materiais que melhor discutiam a temática aqui proposta. Das 15 publicações, foram consideradas apenas 06, pois 5 foram descartadas com base no ano de publicação, 04 foram desconsideradas abordar o tema de modo superficial, assim, restando 06 publicações para serem utilizadas nessa discussão. Portanto, possibilitando a aproximação e compreensão da Festa do Bode na Rua enquanto uma forma de Patrimônio Cultural da cidade de Gurjão – PB.

A partir desse levantamento se pode discorrer e traçar uma relação entre a Festa do Bode na Rua e seu aspecto enquanto patrimônio cultural, evidenciando o modo como o escopo dessa manifestação sucinta pontos como tradição, memória coletiva, identidade cultural.

4. RESULTADO E DISCUSSÃO

Através da análise de bibliografia se pode constatar a relação entre a Festa do Bode na Rua e o conceito de Patrimônio Cultural. Até esse ponto, essa pesquisa se propôs apresentar um panorama sobre o que se pode compreender acerca dos aspectos que formulam a ideia de patrimônio cultural, dando ênfase para considerações como cultural, memória coletiva, identidade cultural, por exemplo, além de apresentar e descrever como nasceu e o modo pelo qual se configura a manifestação intitulada Festa do Bode na Rua.

A partir desse momento da pesquisa, pretende-se traçar uma discussão pelo qual se visa associar a compreensão da manifestação em questão enquanto representante de um grupo de indivíduo e, consequentemente, sua cultura, assim, determinando que muito além de uma festa corriqueira, de cidade pequena, o Bode na Rua representa um patrimônio cultural, uma vez que por meio dessa festividade se pode conhecer a cultura do Cariri Paraibano.

De acordo com Cruz (et al., 2008), quando se lança um olhar sobre as abordagens da cultura popular representada nas festas, crenças, hábitos, nos saberes do patrimônio da cultura brasileira, compreende-se que esses podem ser revelados por meio da gastronomia, do folclore, dos ritos, das celebrações. Dessa forma, as festas representam um lugar que enfatiza os valores e as representações de um espaço específico, de um meio social.

Em seus estudos Farias (2012), considera que as festas apresentam um papel importante na relação entre o sujeito e o meio, uma vez que essas manifestações sempre refletem o modo como os grupos sociais pensam, percebem e se concebem em seu meio ambiente, assim, valorizando mais ou menos certos lugares. Dentro desse contexto as festas assumem um lugar de memória, construção e atualização de um passado que não pertence apenas aos sujeitos, mas também passa a atribuir identidade a setores amplos da sociedade.

Já as pesquisas de Cruz (et al., 2008), compreende que as festas representam saberes peculiares que atravessam inúmeras existências das comunidades e suas práticas, assim, simbolizando na comida, no artesanato, na música, na dança, todas as manifestações culturais relativas ao meio social. Nesse contexto é necessária a compreensão de que as festas podem ser concebidas como traços de um conjunto etnográfico da história e da cultura de um povo, de uma comunidade, na qual se pode encontrar a representação em todos os níveis e classes sociais.

Dando ênfase a Festa do Bode na Rua, realizada na cidade de Gurjão – PB, o Cariri Paraibano, compreende-se que essa manifestação não se limita apenas a uma atividade que proporciona um momento de lazer para os cidadãos. Percebe-se que a realização desse evento agrega em seu escopo a possibilidade de evidenciar os principais aspectos que fomentam a cultura dos povos daquela localidade. Considerando aspectos como economia, turismo, costumes, politica, pode-se notar que o Bode na Rua evidencia o modo como aquela localidade vivencia seu cotidiano.

A compreensão de patrimônio cultural enquanto elementos, materiais e imateriais, que apresentam uma determinada ancestralidade e relevância para a história e cultura de um povo, de uma localidade, de um meio social é cabível ao escopo encontrado na manifestação do Bode na Rua. Dessa forma, é interessante pensar nesse evento como forma de celebração da cultura de um povo.

A festa do Bode na Rua conta com cursos, feiras de animais, palestras, seminários, mostra de artesanato, gastronomia local, concursos leiteiros, no qual, toda essa programação tem intuito de promover a importância da caprinocultura para o município de Gurjão – PB. Entre as instituições que patrocinam o evento do Bode na Rua, pode-se destacar o governo do estado, instituições de extensão e pesquisa, bancária, empresariais, por exemplo.

Logo, nota-se que se trata de uma atividade cultural que acaba atraindo olhares das localidades ao redor de Gurjão – PB, e dessa forma, não se limita apenas a um simples festejo, pois, que se nota que todo esse interesse pelo evento acaba reafirmando sua importância enquanto patrimônio cultural do Cariri Paraibano, como também celebração da cultura, memória e vivencia de um povo.

A Festa do Bode na Rua nasceu como uma solução para as questões relacionadas à caprinocultura de Gurjão – PB. Sabe-se que, entre outras atividades econômicas, o trato com caprinos sempre foi considerado marcante no Cariri Paraibano, pois ela é tida como um importante potencial na produção de leite e carn para essa região, no entanto se detectou a ausência de comercialização e um mercado direcionando para esse tipo de produção na região, como ainda a falta de articulação e organização dos criadores e de incentivo do governo a esse tipo de atividade. Esse quadro acabou por negligenciar a relevância desse tipo de produção para a Gurjão – PB, como também retardou a adoção de tecnologias e intercambio entre os produtores e criadores da localidade em questão.

Através do projeto “Bode na Rua: É possível viver melhor com a força dos negócios e turismo de evento no município seco do nordeste Brasileiro.”, Ronaldo Ramos Queiroz apresentou as possibilidades que as festividades do Bode na rua trazem para a cidade de Gurjão, considerando, além da importância de evidenciar a caprinocultura, a relevância do turismo e dos empregos informais e formais que esse evento trás para a cidade. O prefeito em questão considerou que o evento do Bode na Rua surge como uma manifestação de que vai além de um simples festejo e acaba influenciando na própria dinâmica da cidade, no que se refere à economia, turismo, empregos temporários, por exemplo. A partir da esquematização desse projeto o prefeito levou o premio de Prefeito Empreendedor, pelo Sebrae.

Através desse contexto, nota-se que a festa do Bode na Rua se constitui como uma forma de patrimônio histórico, quando se pensa em tal manifestação como modo de conhecer a cultura de um povo, mais especificamente, da região do Cariri Paraibano.

Assim, acredita-se a relevância de discutir a relação entre essa manifestação enquanto forma de patrimônio histórico, uma vez que se percebe que o Bode na Rua vai além de uma festa corriqueira de cidade pequena. Portanto, pode-se entender que representações como festas populares, monumentos históricos, obras de artes podem ser consideradas como patrimônio cultural. Nessa perspectiva, seria correto afirmar que a Festa do Bode na Rua pode ser compreendida como um patrimônio cultural ao passo que consiste em uma representação da cultura do Cariri Paraibano.

Durante a realização do evento a cidade de Gurjão – PB, que conta com um total de 3 mil habitantes, chega a receber em torno de 20 mil visitantes. Desse modo, entende-se como essa festa vem crescendo e atraindo um grande público, tanto da região, como também de outras localidades.

Nessa perspectiva, considera-se a importância de um evento desse porte, enquanto forma de dar continuidade à memória coletiva de um povo, de celebrar os costumes e vivências que deram origem a localidade em questão e de manter viva a raiz cultural do Cariri Paraibano. Entende-se que a festa do Bode na Rua vem crescendo de modo significativo e isso pode ser apontado como uma prova empírica da sobrevivência de uma cultura, de um povo e sua memória coletiva.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os norteamentos desse estudo permitiram compreender que patrimônio cultural está associado a toda forma de monumento, seja material ou imaterial, que representa a construção cultura e memória coletiva de um povo, nesse contexto, quando se olha para festas, arquiteturas, produções artísticas, pode-se associar que tudo isso corresponda ao conceito de patrimônio cultural.

Quando se observa a história e cultura de um povo se passa a notar que toda forma de vivência em comunidade acaba deixando marcas, no tempo e espaço, no lugar em que vivem; que funcionam como mecanismos para identificar a história de uma coletividade. É dessa forma que surge o patrimônio cultura. Pensando acerca do evento Bode na Rua, compreende-se que consiste em uma festividade que celebra a cultura, a vivência, a gastronomia, música, a dança, economia de uma localidade, nesse caso, dos sujeitos que residem no Cariri Paraibano.

Os direcionamentos desse estudo possibilitaram discutir a importância da festa do Bode na Rua, enquanto uma forma de patrimônio cultural do Cariri Paraibano. Através do que aqui foi exposta, pode-se compreender que essa manifestação nasceu objetivando servir de subsidio para a comercialização da caprinocultura na região em questão.

O modo como se configura essa manifestação trás em seu escopo resquícios importante da memória coletiva, cultura e vivencia daquela comunidade, como por exemplo, a música, a religiosidade, a culinária, a dança, o artesanato, são exemplos de produções que podem ser encontradas na festa do Bode na Rua, e que também consistem em meios para se adentrar na cultura e na história do povo do Cariri Paraibano.

É importe destacar também a figura do bode, que dá nome ao evento, pois, através desse aspecto se pode compreender a importância da caprinocultura para a cidade de Gurjão – PB. Entende-se que a festa do Bode na Rua consiste em uma forma de patrimônio cultural porque sua significação em torno da figura do bode não é algo aleatório, ou mesmo vago, mas sim uma forma de celebrar a relevância da criação de caprinos para a cidade e de apresentar, ainda, o modo como essa atividade agropecuária contribuiu, e contribui, para o desenvolvimento social e econômico daquela localidade.

Por: Junior Queiroz em 28 de julho de 2017

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